sábado, 12 de maio de 2012

A Fonte

Autor: Laércio Lins


Fonte, vertente, que faz jorrar o líquido da vida.
Gerada na terra, a gota d água que sonha ser rio.
Mãe terra que acolhe o grão, que gera o trigo. Terra mãe do pão.
Início, luz depois do aconchego no ventre.
Calor, amor, ovo no ninho quente.
Mãe gente, mãe pássaro.
Início que nunca termina, mãe sina,
que segue e ensina, mesmo sem saber ou por saber demais,
por que a sabedoria é natural e a natureza é sábia,
é escola mãe que ensina a viver.
Mãe é escola de viver nos primeiros passos,
nas primeiras palavras e nos primeiros voos.
Amanhecer que acordou sem ter dormido,
por transformar noite e dia na arte do tempo de criar,
de esculpir a obra, de compor gente.
Fonte e também ponte que liga o continente à ilha.
Sempre mãe, mesmo depois que envelhece e volta a ser filha.
  

Homenagem a todas as mães. Salve 13 de maio de 2012
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sábado, 31 de março de 2012

Uma questão de tempo e relatividade

Autor Laércio Lins


Velho é quem se entrega, se esquece de si e se nega,
Velho é quem se olhar e não se vê.
Pra ser, aos 100 anos de idade jovem, é preciso olhar pra trás e se rever em lutas e vitórias que valeram a pena e também em derrotas que trouxeram crescimento e sabedoria.
Olhar de lado e ver que fez do coração dos amigos, casa.
Olhar pra frente e se rever nos filho ou nos netos.
Se manter jovem é se encontrar na mãe e no pai, mesmo depois que se foram.
Velho é quem se impõe limites e cultiva dificuldades, quem se prende a um momento ou a apenas uma música do passado não se permitindo á novidade. Quem vive repetindo: “No meu tempo era assim.”
Ser velho é achar que é um único certo em um mundo todo errado.

Ser jovem é continuar aprendendo, é se abrir à próxima leitura.
É se olhar no espelho e gostar da cara limpa.
É se permitir dançar fora do ritmo procurando o próprio ritmo e depois dizer: Me encontrei.

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Este texto é um brinde a meus amigos, família, leitores, alunos e todos que brindaram comigo ontem por meu aniversário. A todos que em algum momento me influenciaram de alguma forma, me ensinaram de alguma forma a seguir os caminhos que tenho seguido e a ser quem sou.

terça-feira, 20 de março de 2012

Seguindo o rumo, mantendo o prumo

Autor: Laércio Lins


Meu maior desafio diante da poesia é criar universos em que eu me encontre e não universos em que eu me perca, por que a ação apenas pela emoção leva ao abismo e a ação apenas pela razão é desumana. O equilíbrio entre a fantasia e a realidade é uma travessia no arame sem rede de proteção.

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quinta-feira, 15 de março de 2012

A poesia é a expressão emocionada da realidade

Autor: Laércio Lins.


Ontem, 14 de março, foi dia nacional da poesia. Lembrei algumas vezes durante o dia, no entanto, não me centrei no tema.

Alguns acontecimentos têm tornado difícil a concepção e o nascimento de minhas poesias. Já vi poesia até em guerras. Daí falar que existe poesia em tudo, mas, tenho visto uma guerra diferente, uma guerra de valores, a começar pela liberdade de expressão sendo confundida com promiscuidade e permissividade - Se traz divisas e lucro para alguns poucos, é permitido, essa é a regra, essa é a censura e a lei - Acredito que foi por motivos assim que o poeta Manoel Bandeira foi “embora pra Pasárgada.”

Também sinto falta de um lugar seguro, em paz, sem violência, onde eu possa caminhar nas ruas sem medo de assalto, onde eu possa transitar sem engarrafamentos, onde professores sejam valorizados e respeitados por ensinar, onde cada um possa ser o que é, desde que respeite os espaços e os direitos dos outros..

Sinto falta de políticos sérios, que não legislem em causa própria, que “ensinem a pescar ao invés de dar peixes” em troca de votos. Sinto falta de um estado que proporcione segurança, saúde e educação, por que com essa base as pessoas aprenderão a caminhar com os próprios pés em direção a seus anseios e conquista de seus sonhos.

Ontem foi dia nacional da poesia e a poesia está no ar por que está em tudo, também no caos, no entanto, confesso que é muito mais prazeroso ler e escrever poesias que falam de amor, de equilíbrio de crescimento e de clareza.

Assim como a luz, a poesia não se apaga, continua a existir na lama dos manguezais ou nas areias brancas da praia, a poesia não se entrega e não se deixa aprisionar por ser livre por natureza, no entanto, sente os estímulos e as influências do meio e se reedita em formas feias ou bonitas por que a poesia é a expressão emocionada da realidade.

Salve a poesia no gesto educado de quem dá passagem, de quem pede licença, de quem sorri ao cumprimentar. Salve a poesia em quem espera pelo outro, em quem pega na mão para ajudar a atravessar a vida ou a rua. Salve a poesia no amor da mãe pelo filho, na luta por direitos e igualdades sociais, salve a poesia também pelos deveres. Salve a poesia no amor dos apaixonados, por que a paixão move e constrói o amor. Salve a poesia na paixão dos empreendedores, profissionais, médicos, engenheiros, administradores e doutores. Salve a poesia também no homem simples que acaricia a terra esperando dela o sustento dos filhos. Salve a poesia nos cachorros, nos gatos e nas pessoas. Salve a poesia na natureza, na água, no fogo, na terra e no ar, Salve a poesia na palavra e no silêncio. Salve a poesia em nós. Salve a poesia.

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quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de Março II

Autor: Laércio Lins

Assim como fonte, nascente, início do rio.
Assim como ponte, ligação do continente à ilha.
Filha, em outras horas, mãe.
Assim como força que move e conduz,
luz nos caminhos das crias e dos homens.
Explosão em guerra ou leveza da paz,
Escolha e certeza que orienta e guia.
São todas Marias, casa do amor que vale a vida,
do amor que encontra a razão quando educa e luta.
Luz feminina e bela, clareza aos homens.

Assim como o vento que refresca invisível,
assim como a mão que conduz e atravessa a rua,
verdade crua que lapida e habita o destino.
Assim como a luta que insiste em mudar e vencer.
Lugar onde o medo encontra a coragem e se transforma em sorriso,
onde cabe o mundo inteiro.
Peito que sacia a fome e a sede,
Plantação e colheita na visão do arado que prepara a terra
através de um olhar de paz que suplanta a guerra,
corpo que transforma a dor do parto em Luz.
Aconchego, abraço e acalanto completam os atributos das mulheres famosas que mudaram a história, tanto quanto das mulheres simples que fazem a história.

Homenagem à todas a mulheres pelo seu dia. Salve 08.03.2012
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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Vento

Autor: Laércio Lins

Vento na varanda.
Vento enchendo toda a casa.
Vento secando o suor do rosto.
Antes sopro forte, agora brisa.

Vento sul ou norte que norteia meus sentidos,
que norteia meus caminhos,
que orienta minha alma.
Calma, vento volátil. Perfume.

Vento frio com garoa,
Vento curvo, turvo,
vento no moinho do tempo,
asas de um pensamento que voa.

Vento firme anunciando o inverno,
vento livre, inverso, arrepio que anuncia meus fantasmas internos,
Vento leve ou gelado, lá das montanhas de neve,
voando transparente pelas rotas que desejo
e trilhas onde me vejo.

Vento veloz, corrente dos oceanos,
Vento destino das estradas,
Vento trilha dos ciganos.
Vento úmido nas folhagens nuas
ou varrendo todas as ruas.
Vento no tempo de minha vida e da sua.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

...Assim vou

Autor: Laércio Lins

Se digo que sou forte, fico forte,
se digo que sou ágil, fico ágil,
corro, me canso, construo,
tenho medo, mas, não desisto, fico e sigo.
Assim vou.
Se penso que sou forte, ganho forças,
se penso que sou leve, ganho asas,
sofro, engulo, menstruo,
tenho medo, mas digo, não calo.
Assim vou.
Se acredito que sou braço, nado firme,
acredito que sou livre, vôo alto,
choro e me acalmo sorrindo.
tenho medo, mas, sonho e realizo.
Assim vou.
Se penso ser pegadas, pego a estrada,
me digo, sou caminho e destino,
remo, rumo, viajo,
tenho medo, mas, enfrento e encaro.
Assim vou.
Me canso para descansar na chegada.
Degraus vêm desenho na escada,
ralo, rolo, encaro,
tenho medo, mas, não paro.
Assim vou.

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Desejo incomum

Autor: Laércio Lins

Quero um lugar...
...Um "lugar" onde cabe o imensurável, onde não cabem fórmulas ou formas definitivas. Por que o universo, uma galáxia, um grão de areia ou a cabeça, estão e são ambientes de transformação.
Um lugar onde as definições sedem espaço para os conceitos. Por que gente não é exato e já descobrimos que não há espaço para a técnica sem humanidade ou para a forma sem conteúdo.
Um lugar aberto à idéias e inovações, onde pré-conceitos não são bem vindos por que limitam a liberdade de expressão, de sentimento e de pensamento
Um lugar onde a igualdade respeita as diferenças. Por que cada pessoa é única e livre para promover o bem comum e o amor.
Um lugar onde o tempo não acaba, apenas continua. Por que a vida é um processo de melhoria contínua e não pára, onde olhar se transforma em Ver e ouvir se transforma em Escutar.
Um lugar onde a solidão seja apenas uma palavra no dicionário e todos tenham direitos, deveres e prazer de ser útil. Por que se cada um fizer a parte que lhe cabe, tudo será melhor para todos.
Um lugar onde cabe a esperança e fé, por que se tudo acabar restará a certeza de recomeçar.
Apenas um lugar...

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sobre água e pessoas

Autor: Laércio Lins

A natureza da água é fluir em direção ao mar. No percurso, se transforma em chuva, vapor ou gelo e também transforma lugares, coisas e pessoas sem jamais perder o objetivo.
Jamais estagnação, a água parada apodrece. O homem sem direção perde também o sentido e morre mesmo estando vivo.
Sejamos vida, sejamos inquietos em direção a nossos ideais, assim como a água. Que nossos sonhos e planos não morram na vontade distante ou no papel. A natureza da água e do homem é seguir em frente.
O ano novo não trará mudanças, somos nós que, através de nossas ações, gestos e atitudes, levaremos mudanças para o novo ano.
Sucesso a todos nós e quando o peso parecer insuportável, fé, Deus estará ao nosso lado para nos ajudar.
Onde houver uma gota d água, não importa a altitude, ela estará em direção ao nível do mar.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sugestão

Autor: Laércio Lins


Sugiro que você hoje se olhe no espelho e diga o quanto é bonita ou bonito. Que merece sucesso, saúde, paz, carinho e amor.
Se diga o quanto se gosta e o quanto se admira, o que merece de bom por que você é do bem e só constrói o bem.
Se olhe nos olhos e agradeça a Deus por todas as coisas que você tem e por todas as coisas que conquistou. Pense nas pessoas que você gosta e são importantes pra sua vida.
Se olhe nos olhos e se curta, se admire como uma obra de arte. Cuide de seus pés, eles são a base de sustentação de uma obra de arte, você É uma obra de arte da natureza.
Se olhe no espelho, observe sua alma nua, admire seu corpo, seu olhar e seu sorriso. Faça também algumas caretas pra ativar o humor. Fique um tempo com você, livre de interferências externas. Pense que há coisas que só você pode fazer por você. Depois desse exercício siga forte pra enfrentar as adversidades do dia a dia, para tirar do baú velhos projetos e acordar para realizar velhos sonhos.
Seu dia, sua semana, seu mês e seu ano são o tempo e o espaço que você precisa e dispõe pra ser feliz.

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domingo, 13 de novembro de 2011

Para acender a luz

Autor: Laércio Lins


De que material é feito a beleza?
Qual o peso da leveza?
De que momento nasceu o tempo? Será que no mesmo lugar onde foi soprado o primeiro vento?
De que pedra preciosa nasceu a alegria? Das larvas de um vulcão? Da água limpa e fria?
Sentimentos bons têm brilho de metal, tem gosto de festa.
Pensamentos não pensados, palavras nunca ditas ou escritas. Será essa a origem da filosofia?
O bem contra o mal, o bom contra o ruim. 1x0 ou empate? Ou será que um alimenta o outro?
De que magia nasce o encanto. A paixão é uma miragem que faz o feio parecer bonito ou é ilusão de ótica?
Será que o medo é parente do grito?
De que é feito o pensamento? De saudade? De lembranças? De ansiedade? De depressão? De senso crítico? De bom senso? Ou de esquecimento?
O poder é forte? Ou se esconde em uma máscara pra não revelar a fraqueza?
Será que o desejo deseja?
Qual a lógica da lógica?
A morte vive de matar a vida.
A esperança que saiu da caixa de Pandora mora agora no ninho da Fênix e acorda todos os dias de manhã.
Eva comeu mesmo a maçã?
Em meio a isso tudo como fica o amor? Na sessão da tarde ou no filme de terror? No beijo de Hollywood ou na novela da TV Globo?
As mães da praça de maio sofrem e sentem saudade de janeiro a janeiro. Deveriam ser mães da praça do ano inteiro.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Viajante do tempo

Autor: Laércio Lins

Lembro daquela viagem.
No porão de um navio negreiro, sou escravo, tenho banzo, sinto frio.
Sofro em várias senzalas, saudade de minha amada.
Vivo em quilombos e sou amigo de Zumbi.
Aprendo com a dor da guerra, o valor da liberdade e o amor por minha terra.
Sou sertanejo, vejo vegetações e folhagens confirmando a estiagem, a terra seca, rachada e o gado sem pastagem.
Também vivo no mangue com amigos caranguejos.
Mergulho em terras estranhas, sou muito curioso.
No alto de uma montanha,
espero por vida nova trazida por Conselheiro.
À luz de um candeeiro escrevo lindos cordéis,
encho os dedos de anéis
e me transformo em bacamarteiro.
Também sou feirante, pescador, ticuqueiro e cambiteiro,
estafeta e vaqueiro. Até compus um aboio.
Sou parceiro de poetas consagrados,
João Cabral de melo Neto e Manoel bandeira.
Sou cangaceiro do bando de Lampião a fugir das volantes
pra minha cabeça não ser cortada.
Canto coco de roda, embolada e ciranda com Lia de Itamaracá,
danço forró e sou rei. Sim, Rei do maracatu rural.
Faço repente abraçado à viola,
cujo mote é o passo de uma ema
e no aconchego da sombra da jurema
adormeço, ao por do sol, nos braços de Iracema.
Converso com Pedro Malazarte,
vejo arte na astúcia de João Grilo,
nas traquinices de Cancão de fogo
e nas desordens de Corisco.
Ajudo Ascenso Ferreira botar o trem nos trilhos
e com ele vou Danado pra Catende pra olhar as moendas da usina.
Me lambuzar no melaço, ver a queimada na cana em nome do açúcar,
mesmo que eu vire bagaço.

Sou viajante do tempo em que a vida é um teatro,
episódios e lendas são partes de uma peça em três atos,
os personagens e mitos são atores tão presentes
que as alegrias e tristezas, o real e a fantasia,
a razão e a emoção, o sim e o não,
são apenas partes da vida que eu mesmo faço.


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domingo, 23 de outubro de 2011

Resta

Autor: Laércio Lins


Resta a resta da fresta da porta,
o rastro de espuma depois do navio
o traço de fumaça depois do avião
o rastro da saudade do amor que sumiu

Resta o passo do homem que segue sozinho
Resta o rastro no fim do caminho
o sopro do vento girando o moinho
A vida no pássaro, o ovo no ninho.

Resta o trovão depois do relâmpago,
resta a fumaça depois da explosão
resta a larva depois do vulcão.
Depois do fogo, da água e do ar, resta o chão


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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Bandeira encantada

Autor: Laércio Lins


Bandeira encantada, um destino,
me faz de novo menino.
Nuvem azul, uma força,
fada madrinha, um caminho.
Estrela, mãe e guerreira,
jamais me deixas sozinho.

Estrada encantada, esperança,
me faz de novo criança.
Descanso livre em teu colo,
me conduz, me orienta na viagem.
Virgem madrinha me guia
para que eu não me perca em miragem.

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Luz encantada, um brilho,
me abraça, eu sou teu filho.
Mãe e Senhora, meu rumo,
me entrego inteiro em teus braços,
ilumina meu destino
e a direção de meus passos.


Homenagem à Mãe de todas as mães em seu dia no Brasil. Salve 12.10.2011
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O veleiro

Autor: Laércio LIns


Velas ao vento.
Velejar cortando ondas, ganhando o mar.

Velas ao tempo.
Em novo rumo, águas profundas a desvendar.
Forte veleiro a deslizar por novas paisagens,
águas distantes, longa viagem.

Velas ao vento,
A alma do porto tem metade terra e metade mar.
Às vezes chegada, outras vezes partida.

Veleiro tempo,
outras culturas,
em águas calmas ou tempestades.

Em mar escuro, veleiro medo,
bebendo a brisa, veleiro cedo.
Leve e que leva eterno encanto,
águas, espumas e um rastro branco.

Sede das águas de todos os mares, fome dos ventos de todos os ares.
Seguindo a rota, buscando prumo.
Velas revelam os encantos do mar.

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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Apenas conceitos

Autor: Laércio Lins

Os sentimentos saem pelas janelas de quem escreve e entram pelas portas de quem lê, ganham outras possibilidades de interpretação e provocam novos sentidos em outros mundos.
A poesia se liberta do autor, se multiplica tanto quanto lida for e deixa um vazio a ser preenchido pela próxima a ser escrita
A sensação de fluxo torna a poesia ainda mais bonita, traz uma sensação de infinito perto, bem ali, quase ao alcance das mãos. Ao mesmo tempo, um sentimento de perda, a espera pela onda que se repete, no entanto, a cada momento em nova forma. Tudo está em transformação, a próxima palavra, o próximo momento, a próxima conversa, o próximo segundo agora é passado. O final anuncia um novo início, o ponto de partida para quem está indo, pode ser de chegada para quem está voltando, por que “nada do que foi será do jeito que já foi um dia.” A prosa pode ser visto como poema ou poesia, o que importa é sentir e o que fica é a ação que leva à renovação.
Fazer é ação, desmanchar o que foi feito também, é tudo uma questão de referência. Tudo flui e tudo é relativo, em um balé de escolhas, as idéias originam nascimento ou morte, adormecem com a noite para não mais acordar ou acordam numa manhã de setembro junto com a primavera a florescer novos gestos.
A poesia está na mãe que amamenta o filho que acabou de nascer e também na morte, vi isso em meu pai em sua partida, sentimento doloroso, mas, que tinha um quê de conclusão, de dever cumprido, de encerramento e também de recomeço.
Para quem não sabe rezar, a poesia é oração, por que Deus compreende a língua dos sentimentos e do amor, não há tradução para o sorriso de uma criança a conversar com seu brinquedo nem para o silêncio de um inocente condenado que desistiu de lutar.
Vejo poesia em palavras que jamais serão escritas, não se conjuga o verbo chover, no entanto, em sentido figurado a chuva pode significar lágrimas e ao mesmo tempo alegria para o homem camponês ao final da estiagem. Tudo está no milagre de viver.
A poesia é muito mais que palavras organizadas em um lay out estético, a verdadeira poesia não cabe na forma sem conteúdo como pensavam os parnasianos, a métrica e a rima são apenas possibilidades.
Há poesia nos pés descalços que pisa a uva, tanto quanto na sofisticação do vinho em brinde, por que poesia é o nome que se deu a todos os sentimentos e todos os momentos. A poesia anda com os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Não permite preconceitos, não discrimina e não julga, apenas alivia a inquietude de quem escreve ou de quem lê, com a mesma simplicidade que a água sacia a sede, se molda aos sentimentos como as luvas se acomodam às formas das mãos.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Maquiagem

Autor: Laercio Lins

Realce da alma, olhos,
janelas delineadas,
negrito ao rosto calmo.
O rosto no espelho, sombras, retratos.
Quadro, enquadro do olhar e do olho que vê,
que guarda a clareza, a cor e o tom.
Batom, moldura da boca,
casa da palavra, da voz e do som.
Entre a máscara e a cara limpa,
em sentimento, se transforma a tinta
na face de quem se pinta.

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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Concepção e parto de uma poesia

Autor: Laércio Lins


A transformar preto e branco em cores, é assim à primeira vista.
A transformar pensamentos em palavras, são assim os primeiros sons e as primeiras linhas.
A transformar o silêncio em linguagem, feito mímica, surge a voz do olhar e do pensamento.
A transformar passos em caminhos, é assim a primeira viagem. Um enorme trem de histórias.
Surge fadas, gaivotas, esculturas e um universo imaginário.
Surge templos, naves, deuses e demônios, céus e infernos.
Surge estrelas, pedras e luzes, muitas luzes.
Luzes que fazem brilhar a língua lusitana, revelando formas, desenhando pés, bocas e mãos.
Nasce assim a primeira frase. Frágil e tímida, delicada e clara.
Surge assim um grande amor,
surge assim, poesia,
surgiu assim, quase tudo.
A lapidar pedras brutas, ostras e pérolas a batizar em água e sal o próprio destino, o próprio rumo.

Contemplação à poesia que em forma de mulher se recita, ressuscita, surge e ressurge.
Montada em um cavalo alado sobrevoa montanhas, pântanos, colinas e castelos.
Ora flor, ora luz, ora mar, ora ar.
Lindos pés, alicerces na construção de um texto, sustentação de uma obra de arte.
Imagens. Lágrimas, risos e aplausos. Fantástico cenário imaginário, fantástico mundo imaginário, tanto quanto real.
A busca pela perfeição torna possível o impossível.
Beber o néctar das flores, beber na fonte da vida a água da fonte divina.
Entre sentimentos, entre fragmentos de alegria ou de dor nasce o texto, explodido, sem regras.
Entre estilhaços surge a palavra, a estrofe, o verso, a rima, como um amanhecer.
Concebido e expelido como num parto, erguido como um troféu pelas mãos do poeta, moldado e esculpido como uma escultura do centro da praça de uma cidade imaginária, minha cidade imaginária, que se alimenta e vive nas páginas de seu próprio encanto.
Encantos de beleza essencial e de complementos.
Encontro entre o concreto e a abstração, por que sentimento é preciso e não é exato.
Formas, cores, cheiros, silêncio e som ritmado, cadência do coração marcando a vida que segue.
Ostra e ao mesmo tempo Pérola.
Agora um silêncio, tudo é calmaria, uma leve brisa sopra o berço do próximo poema. Não muito distante, sons de violinos ensaiam a trilha sonora pra outras histórias.

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mão que conduz

Autor: Laércio Lins


A força orientada pela sensibilidade se transforma em afago, carinho que guia, educa e orienta.
O olhar que insiste em ver resulta em descoberta que ensina novos caminhos, por que ser pai não é apenas ter filhos, e sim, transformá-los em pessoas melhores.
Locomotiva a guiar nos trilhos. Ser presente, aprender com a novidade, ver no filho ou filha a oportunidade de se prolongar no futuro e de se reinventar.
Se alimentar da raiz. Ser árvore, cujos frutos sejam alimento, certeza de continuidade e esperança.
Se encontrar nos filhos como em um espelho que volta as imagens e o tempo, se rever criança, voltar ao começo.
Por que ser pai é compreender que é hora de conduzir, ser ponte que transporta da ilha ao continente. Seguir uma estrela e guiar pelo deserto, muitas vezes sem saber o caminho, até o ponto do nascimento ou renascimento.
Por que ser pai é ser “sim” e algumas vezes ser “não” e mesmo sem compreender ser explicação.

A todos os pais por seu dia. Salve 14.08.2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Amor e sonho


Autor: Laércio Lins (Texto e gravura)


Não sei se é verdade por ser poesia,
não sei se é poesia por ser verdade,
mesmo que para uns, seja apenas fantasia.
Leve, como é leve a paz.
Se fosse o sonho um encanto, eu adormeceria
e dormindo renasceria,
Já que o sonho é porta livre que permite o vôo mais alto
e o brilho mais brilhante, corre o mundo num instante,
alheio ao tempo, noite e dia.
O amor vem desse laço, dessa mistura, desse traço,
e encontra em cada sonho a harmonia dos braços.
Amor é semente plantada nas profundezas da terra
que o acolhe até brotar.

Não sei se é poema por ser fantasia,
ou realidade por ser poesia.
Mesmo que, para poucos seja clareza e para outros, incerteza,
prefiro ver como abrigo que guarda a sabedoria,
magia da plantação que revela os segredos do chão,
que revela o segredo das ondas compondo a dança do mar.
Inspirar e expirar. Respirar é segredo do ar.
Se o sonho é uma janela, que permite o olhar mais fundo,
nele viajo e encontro o tempo todo em um segundo.
Descubro assim, novos mundos desenhados com outros traços.
O amor vem desse espaço, descansa no olhar e no abraço,
se amplia em cada encontro, cada cheiro e cada laço.

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domingo, 31 de julho de 2011

O pássaro e o poeta


Autor: Laércio Lins (Texto e gravura)



Assobiar,
o assobio me lembra bico
e o bico me lembra pássaros
e os pássaros me lembram asas.
Pássaro enquanto poeta, me ponho a voar.

Dar asas ao pensamento,
no vôo encontro a poesia
e a poesia me transporta solto
e solto, me sinto livre.
Livre enquanto pássaro. Preciso voar.

Viajar em pensamento,
na viagem encontro o motivo
e o motivo me faz feliz
e feliz me sinto em paz.
Em paz enquanto pássaro.
Poeta preciso a voar.

Sonhar com o vôo da gaivota,
da águia, do condor e do gavião,
da asa branca, do urubu ou do avião.
Asa da perdiz, do pensamento e do vento.
Pegar uma rota certeira, fechar os olhos e partir,
abraçado ao vôo do tempo.

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domingo, 24 de julho de 2011

Chuva

Autor: Laércio Lins


Nuvem cobrindo as estrelas, escurece o céu pra chover.
Na secura da terra, gotas d água são abraços
mudando a paisagem, acabando a estiagem.

Chão seco, agora molhado,
chuva baixando a poeira,
chuva apagando a fogueira,
chuva lavando a poesia.
chuva escorrendo na face
chuva esfriando o cansaço

Chão seco, agora encharcado,
pensamento novo, molhado. Raios e trovões,
sentimento confuso entre a seca e estiagem.
Inerte palma, cacto, planta,
enquanto a alma se espanta
a poesia acalanta,
meu coração se encanta
contemplando este chover.

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